quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Relembrando................ Os Quadrinhos Parte .... II ... de ...III

Uma característica vital foi acrescentada a representação das imagens: o tempo passava a ser um elemento de organização da série. No entanto, fazia-se necessário que o leitor completasse o "vazio" entre um e outro quadrinho. Um herói vai abrir uma porta, sua mão dirige-se para a maçaneta. No quadro seguinte, está correndo pelas ruas. Foi preciso que o leitor preenchesse com sua imaginação a falta dos seguintes movimentos - o personagem abre a porta, sai, a porta bate, ele começa a correr - para que houvesse uma coerência entre os dois quadros. Alguns autores argumentam que essa operação perceptiva não é relevante, só é permitida porque as ações não descritas são altamente prováveis e portanto não implicam participação maior do espectador na construção da cena, e nem numa concepção espacial nova da linguagem.



Pensamos que a grande probabilidade do desfecho da ação não seja uma característica da linguagem das histórias em quadrinhos, mas sim de sua mercantilização, da mesma maneira que o "happy End" também não o é no cinema. A sequência de quadros não é obrigatoriamente provável, como demonstra o desenho LUNA TOON. Cada quadrinho tem quando isolado, um grau menor inteligibilidade e maior quando em conjunto. O grau maior é conferido pela continuidade de tempo, espaço e movimento na maneira descrita anteriormente.



Contudo a articulação dos quadros pode não ser feita exclusivamente através da unidade de ação. O tratamento da página (principalmente quando a história é publicada em revistas), como um todo formal, como um painel, onde o elemento básico é o quadrinho, quando com diferentes espaços, manchas, claros-escuros, símbolos, independentemente do tempo narrativo, é uma tentativa de acréscimo das conquistas pictóricas as historietas.



Não fica difícil portanto, chegar á conclusão de que as histórias em quadrinhos são uma forma de representação diversa da ilustração, da caricatura e do cartoon. A simples constatação do seu carater de série organizada através de um uso conceitual do tempo não só é suficiente, como também coloca-nos em presença de uma estrutura figurativa original.

Relembrando.......... " Mandrake " - Phil Davis

Em 1.933, Phil Davis encontrou um conterrâneo, Lee Falk e juntos criaram um dos personagens mais famosos do King Features Syndicate, Mandrake,The Magician. No príncipio (1.934) as aventuras de Mandrake, sempre junto com o seu fiel colaborador Lothar, e depois com a "noiva" permanente Narda, eram quase convencionais. Logo em seguida, porém a dupla Falk e Davis, além dos poderes mágicos dados a Mandrake ( na verdade, um mestre no hipnotismo), aumentou a dose do imaginário / fantástico. Mandrake e seus companheiros passaram a visitar mundos paralelos, outras civilizações, o fundo do mar, invasores do espaço, em cenários que primavam pela criatividade.



O traço foi eliminando detalhes supérfluos, tornou-se até mais duro no princípio, mas os mundos que Davis criava eram realmente mágicos. Mandrake foi vendido em todos os quatro cantos da Terra. Pena que a saúde de Phil não era boa. Nos seus últimos anos de vida, o desenhista era muito auxiliado por sua esposa Martha, que já tinha fama como figurinista e estilista de moda. Quando Phil morreu de um ataque cardíaco, Martha tentou continuar sózinha as tiras e páginas dominicais de Mandrake, mas realmente não tinha pique para tanto. A série passou para as mãos de Fred Fredericks.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Relembrando........ " Justiceiro " Parte .....I ..... de .....II

No final da década de 80, a Marvel Comics, famosa editora de quadrinhos dos EUA, conseguiu transformar um personagem violento e problemático, que ela mesmo havia criado em 1.974, em um dos maiores sucessos de vendas no mercado de HQs. São quadrinhos muito lidos pelo público juvenil e adulto. Castle tem carisma e os roteiristas Mike Baron e Carl Potts, que produzem as aventuras mensais, redigem tramas inteligentes e movimentadas nos últimos anos, o Justiceiro se tornou um dos personagens mais populares da Marvel.



Por que isso aconteceu ? O que exatamente está cativando os leitores? E com o que eles se identificam ? Na década de 80, quando filmes como Rambo, Máquina Mortífera e Exterminador do Futuro se mostram tão populares, muitos poderiam alegar que é a ação de ritmo rápido, que torna o Justiceiro também tão popular. Mas embora, pareça haver um grande público fascinado por toda essa ação, armas e seus efeitos, o Justiceiro é mais do que um homem furioso com uma pistola.



Se penetrarmos mais no personagem,encontraremos o retrato de alguém que serviu e triunfou num mundo de adversidades. O Justiceiro (Frank Castle),apareceu nas selvas do Sudeste da Asia, a fazer o que hoje ele faz de melhor que ninguém. Depois do Vietnã, Castle trabalhou em várias agências de manutenção da Lei. Viciado em ação, encontrou alívio lutando pelas forças da lei e da ordem. Sua esposa e dois filhos ajudaram a ancorar Castle aos ideais pelos quais ele lutava. A lei e a ordem não salvaram a família Castle, quando ela presenciou um linchamento e foi chacinada por uma quadrilha de criminosos. A lei e a ordem não puniram os responsáveis pelas mortes. na família Castle. O sistema jurídico foi incapaz de condenar os assassinos.

"WASH TUBBS " - Tubinho - Relembrando

Criada em 1.924, na mesma época em que aparecia Little Orphan Annie, esta série abriria, na realidade, o campo de aventuras, propriamente dito, nas histórias em quadrinhos. Criada por Roy Crane, Wash Tubbs (Tubinho,no Brasil), era um rico industrial com seus problemas vividos na época da depressão do pós guerra, em luta contra a corrupção e o banditismo.



A série, apesar de séria, tinha uma característica um tanto humorística devido ao traço simples de Crane. Em 1.929, seria introduzido um novo personagem : Captain Easy, que o baixinho Tubbs conseguiu salvar de uma prisão. Daí um novo alento é dado á história que, em 1.943, ganharia um novo nome :Captain Easy (César, o Capitão Sem Medo, no Brasil).



A esta altura, Crane largaria a série nas mãos de seu assistente Leslie Turner, para se dedicar a um novo herói : Buz Sawyer (Jim Gordon). Turner, que já trabalhava em Cesar, desde 1.939, recebeu a incumbência, desenvolvendo o mesmo estilo do mestre, usando a técnica do cartão doubletone, com efeitos de meio-tom reticulado. Em 1.970, a série com argumentos de Jim Lawrence, seria desenhada por Bill Cooks. Aparecendo, inicialmente no Suplemento Juvenil, voltaria ao Globo Juvenil já com nome de Cesar. Editado em 1.974 em forma de livro pela editora Saber, e em tiras diárias nos jornais.

RELEMBRANDO ........ "​ Os Quadrinhos "​... Parte ..... I ......de ...... III

Principalmente é necessário que a história em quadrinhos seja entendida como um produto típico da cultura de massas, ou especificamente da cultura jornalística. A necessidade de participação e envolvimento catártico motivada pela alienação do individuo, a metamorfose da informação em mercadoria, o avanço da ciência, a nova consciência da realidade, enfim as coordenadas características do estabelecimento da sociedade de consumo criaram as condições para o aparecimento e sucesso do jornal, cinema e história em quadrinhos.



O teatro, a pintura foram meios transformados e adaptados a nova situação, enquanto que história em quadrinhos, como o cinema, podem ser classificados como novos veículos e novas formas . Seja numa função alegremente digestiva ou seriamente crítica, constituiram -se numa articulação imagística original e própria. Por isso podemos afirmar sua tipicidade. A aproximação entre cinema e os quadrinhos é inevitável, pois os dois surgiram da preocupação de representar e dar sensação de movimento.



Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência. O que faz do bloco de imagens, uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior, a ação, contínua estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes. Quando feito para o jornal , a historieta obedecia ao esquema do romance de folhetim (aliás.ela nasceu de ilustrações para os romances), criando uma expectativa para o desenrolar da narrativa.



A aparição desse conjunto estruturado de imagens significou uma revolução no tratamento das representações analógicas. Não era mais a fixação pictórica de um instante, agora se observava uma narração figurada onde o desenvolvimento das ações dos personagens, do começo e do fim de um fenômeno qualquer, podia ser apreendido, visto ou revivido.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

RELEMBRANDO ...... " Mancada "

Mancada, no original, Moose, criada por Bob Weber ,é uma série que descreve a vida familiar. Mas estamos bem longe daquilo que se convencionou chamar de família típica americana. Pelo contrário, ela não é nada exemplar. Mancada, o marido faminto e folgazão, é um eterno desocupado, sempre á procura de emprego (que ele faz questão de não encontrar), vivendo a custa do seguro de desemprego. Gegé, sua mulher, é quem trabalha de verdade, fazendo todos os serviços domésticos e ainda atendendo ás formidáveis exigências do inesgotável apetite de Mancada. A família se completa com os filhos menores : Cintia e Neco (cujo passatempo é juntar animais de estimação); Rosita e Benê, os filhos maiores, mas que pouco aparecem ; e ainda Leão, o cachorro mais medroso da paróquia ; e Navalhada o papagaio malandro. Completando a série, aparecem os vizinhos, os amigos e os parentes e algumas personagens ocasionais como o carteiro e os cobradores. Entre os vizinhos, Anacleto, trabalhador e dominado pela mulher, é o marido típico americano convencional ; enquanto que Pascoal é o vizinho implicante e chato, que por isso mesmo acaba sempre levando a pior e se constitui na vítima preferida de Mancada.

Relembrando........ "Demolidor,o Homem sem Medo "

Durante o dia, Nova Iorque é uma das maiores cidades do mundo ..... Porém, quando a noite chega,ela se transforma numa selva fria, povoada por seres selvagens e impiedosos.A iluminação nas ruas não é suficiente para afugenta-los..... Mas deve existir alguém que se atreva a desafia-los, alguém sem medo, um verdadeiro demônio intrépido !



Era assim que Frank Miller imaginava o herói cego criado em 1.964 por Stan Lee : DEMOLIDOR, O HOMEM SEM MEDO. No início, Miller apenas desenhava as histórias escritas por Roger McKenzie, mas, em pouco tempo,t ornou-se co- argumentista e, finalmente, passou a escrever e desenhar as aventuras do Demolidor. Nas mãos dele, o personagem deixou de ser um super-herói comum e mergulhou de cabeça no submundo do crime.



As histórias ganharam um conteúdo policial e adquiriram uma nova dimensão: personagem e cenário tornaram-se um único elemento! Mais do que qualquer outro artista, Miller conseguiu explorar a frustação do advogado Matt Murdock (nome verdadeiro do Demolidor) diante da ineficiência da justiça. Para ele ser o Demolidor era uma forma de combater o crime e, ao mesmo tempo a conscientização de haver falhado como profissional nos tribunais.