Uma característica vital foi acrescentada a representação das imagens: o
tempo passava a ser um elemento de organização da série. No entanto,
fazia-se necessário que o leitor completasse o "vazio" entre um e outro
quadrinho. Um herói vai abrir uma porta, sua mão dirige-se para a
maçaneta. No quadro seguinte, está correndo pelas ruas. Foi preciso que o
leitor preenchesse com sua imaginação a falta dos seguintes movimentos -
o personagem abre a porta, sai, a porta bate, ele começa a correr - para
que houvesse uma coerência entre os dois quadros. Alguns autores
argumentam que essa operação perceptiva não é relevante, só é permitida
porque as ações não descritas são altamente prováveis e portanto não
implicam participação maior do espectador na construção da cena, e nem
numa concepção espacial nova da linguagem.
Pensamos que a grande
probabilidade do desfecho da ação não seja uma característica da
linguagem das histórias em quadrinhos, mas sim de sua mercantilização, da
mesma maneira que o "happy End" também não o é no cinema. A sequência de
quadros não é obrigatoriamente provável, como demonstra o desenho LUNA
TOON. Cada quadrinho tem quando isolado, um grau menor inteligibilidade e
maior quando em conjunto. O grau maior é conferido pela continuidade de
tempo, espaço e movimento na maneira descrita anteriormente.
Contudo a
articulação dos quadros pode não ser feita exclusivamente através da
unidade de ação. O tratamento da página (principalmente quando a história
é publicada em revistas), como um todo formal, como um painel, onde o
elemento básico é o quadrinho, quando com diferentes espaços, manchas, claros-escuros, símbolos, independentemente do tempo narrativo, é uma
tentativa de acréscimo das conquistas pictóricas as historietas.
Não fica
difícil portanto, chegar á conclusão de que as histórias em quadrinhos
são uma forma de representação diversa da ilustração, da caricatura e do
cartoon. A simples constatação do seu carater de série organizada
através de um uso conceitual do tempo não só é suficiente, como também
coloca-nos em presença de uma estrutura figurativa original.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Relembrando.......... " Mandrake " - Phil Davis
Em 1.933, Phil Davis encontrou um conterrâneo, Lee Falk e juntos criaram um dos
personagens mais famosos do King Features Syndicate, Mandrake,The
Magician. No príncipio (1.934) as aventuras de Mandrake, sempre junto
com o seu fiel colaborador Lothar, e depois com a "noiva" permanente
Narda, eram quase convencionais. Logo em seguida, porém a dupla Falk e
Davis, além dos poderes mágicos dados a Mandrake ( na verdade, um mestre
no hipnotismo), aumentou a dose do imaginário / fantástico. Mandrake e
seus companheiros passaram a visitar mundos paralelos, outras
civilizações, o fundo do mar, invasores do espaço, em cenários que
primavam pela criatividade.
O traço foi eliminando detalhes supérfluos, tornou-se até mais duro no princípio, mas os mundos que Davis criava eram realmente mágicos. Mandrake foi vendido em todos os quatro cantos da Terra. Pena que a saúde de Phil não era boa. Nos seus últimos anos de vida, o desenhista era muito auxiliado por sua esposa Martha, que já tinha fama como figurinista e estilista de moda. Quando Phil morreu de um ataque cardíaco, Martha tentou continuar sózinha as tiras e páginas dominicais de Mandrake, mas realmente não tinha pique para tanto. A série passou para as mãos de Fred Fredericks.
O traço foi eliminando detalhes supérfluos, tornou-se até mais duro no princípio, mas os mundos que Davis criava eram realmente mágicos. Mandrake foi vendido em todos os quatro cantos da Terra. Pena que a saúde de Phil não era boa. Nos seus últimos anos de vida, o desenhista era muito auxiliado por sua esposa Martha, que já tinha fama como figurinista e estilista de moda. Quando Phil morreu de um ataque cardíaco, Martha tentou continuar sózinha as tiras e páginas dominicais de Mandrake, mas realmente não tinha pique para tanto. A série passou para as mãos de Fred Fredericks.
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Relembrando........ " Justiceiro " Parte .....I ..... de .....II
No final da década de 80, a Marvel Comics, famosa editora de quadrinhos
dos EUA, conseguiu transformar um personagem violento e problemático, que
ela mesmo havia criado em 1.974, em um dos maiores sucessos de vendas no
mercado de HQs. São quadrinhos muito lidos pelo público juvenil e
adulto. Castle tem carisma e os roteiristas Mike Baron e Carl Potts, que
produzem as aventuras mensais, redigem tramas inteligentes e movimentadas
nos últimos anos, o Justiceiro se tornou um dos personagens mais
populares da Marvel.
Por que isso aconteceu ? O que exatamente está cativando os leitores? E com o que eles se identificam ? Na década de 80, quando filmes como Rambo, Máquina Mortífera e Exterminador do Futuro se mostram tão populares, muitos poderiam alegar que é a ação de ritmo rápido, que torna o Justiceiro também tão popular. Mas embora, pareça haver um grande público fascinado por toda essa ação, armas e seus efeitos, o Justiceiro é mais do que um homem furioso com uma pistola.
Se penetrarmos mais no personagem,encontraremos o retrato de alguém que serviu e triunfou num mundo de adversidades. O Justiceiro (Frank Castle),apareceu nas selvas do Sudeste da Asia, a fazer o que hoje ele faz de melhor que ninguém. Depois do Vietnã, Castle trabalhou em várias agências de manutenção da Lei. Viciado em ação, encontrou alívio lutando pelas forças da lei e da ordem. Sua esposa e dois filhos ajudaram a ancorar Castle aos ideais pelos quais ele lutava. A lei e a ordem não salvaram a família Castle, quando ela presenciou um linchamento e foi chacinada por uma quadrilha de criminosos. A lei e a ordem não puniram os responsáveis pelas mortes. na família Castle. O sistema jurídico foi incapaz de condenar os assassinos.
Por que isso aconteceu ? O que exatamente está cativando os leitores? E com o que eles se identificam ? Na década de 80, quando filmes como Rambo, Máquina Mortífera e Exterminador do Futuro se mostram tão populares, muitos poderiam alegar que é a ação de ritmo rápido, que torna o Justiceiro também tão popular. Mas embora, pareça haver um grande público fascinado por toda essa ação, armas e seus efeitos, o Justiceiro é mais do que um homem furioso com uma pistola.
Se penetrarmos mais no personagem,encontraremos o retrato de alguém que serviu e triunfou num mundo de adversidades. O Justiceiro (Frank Castle),apareceu nas selvas do Sudeste da Asia, a fazer o que hoje ele faz de melhor que ninguém. Depois do Vietnã, Castle trabalhou em várias agências de manutenção da Lei. Viciado em ação, encontrou alívio lutando pelas forças da lei e da ordem. Sua esposa e dois filhos ajudaram a ancorar Castle aos ideais pelos quais ele lutava. A lei e a ordem não salvaram a família Castle, quando ela presenciou um linchamento e foi chacinada por uma quadrilha de criminosos. A lei e a ordem não puniram os responsáveis pelas mortes. na família Castle. O sistema jurídico foi incapaz de condenar os assassinos.
"WASH TUBBS " - Tubinho - Relembrando
Criada em 1.924, na mesma época em que aparecia Little Orphan Annie, esta
série abriria, na realidade, o campo de aventuras, propriamente dito, nas
histórias em quadrinhos. Criada por Roy Crane, Wash Tubbs (Tubinho,no
Brasil), era um rico industrial com seus problemas vividos na época da
depressão do pós guerra, em luta contra a corrupção e o banditismo.
A série, apesar de séria, tinha uma característica um tanto humorística devido ao traço simples de Crane. Em 1.929, seria introduzido um novo personagem : Captain Easy, que o baixinho Tubbs conseguiu salvar de uma prisão. Daí um novo alento é dado á história que, em 1.943, ganharia um novo nome :Captain Easy (César, o Capitão Sem Medo, no Brasil).
A esta altura, Crane largaria a série nas mãos de seu assistente Leslie Turner, para se dedicar a um novo herói : Buz Sawyer (Jim Gordon). Turner, que já trabalhava em Cesar, desde 1.939, recebeu a incumbência, desenvolvendo o mesmo estilo do mestre, usando a técnica do cartão doubletone, com efeitos de meio-tom reticulado. Em 1.970, a série com argumentos de Jim Lawrence, seria desenhada por Bill Cooks. Aparecendo, inicialmente no Suplemento Juvenil, voltaria ao Globo Juvenil já com nome de Cesar. Editado em 1.974 em forma de livro pela editora Saber, e em tiras diárias nos jornais.
A série, apesar de séria, tinha uma característica um tanto humorística devido ao traço simples de Crane. Em 1.929, seria introduzido um novo personagem : Captain Easy, que o baixinho Tubbs conseguiu salvar de uma prisão. Daí um novo alento é dado á história que, em 1.943, ganharia um novo nome :Captain Easy (César, o Capitão Sem Medo, no Brasil).
A esta altura, Crane largaria a série nas mãos de seu assistente Leslie Turner, para se dedicar a um novo herói : Buz Sawyer (Jim Gordon). Turner, que já trabalhava em Cesar, desde 1.939, recebeu a incumbência, desenvolvendo o mesmo estilo do mestre, usando a técnica do cartão doubletone, com efeitos de meio-tom reticulado. Em 1.970, a série com argumentos de Jim Lawrence, seria desenhada por Bill Cooks. Aparecendo, inicialmente no Suplemento Juvenil, voltaria ao Globo Juvenil já com nome de Cesar. Editado em 1.974 em forma de livro pela editora Saber, e em tiras diárias nos jornais.
RELEMBRANDO ........ " Os Quadrinhos "... Parte ..... I ......de ...... III
Principalmente é necessário que a história em quadrinhos seja entendida
como um produto típico da cultura de massas, ou especificamente da
cultura jornalística. A necessidade de participação e envolvimento
catártico motivada pela alienação do individuo, a metamorfose da
informação em mercadoria, o avanço da ciência, a nova consciência da
realidade, enfim as coordenadas características do estabelecimento da
sociedade de consumo criaram as condições para o aparecimento e sucesso
do jornal, cinema e história em quadrinhos.
O teatro, a pintura foram meios transformados e adaptados a nova situação, enquanto que história em quadrinhos, como o cinema, podem ser classificados como novos veículos e novas formas . Seja numa função alegremente digestiva ou seriamente crítica, constituiram -se numa articulação imagística original e própria. Por isso podemos afirmar sua tipicidade. A aproximação entre cinema e os quadrinhos é inevitável, pois os dois surgiram da preocupação de representar e dar sensação de movimento.
Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência. O que faz do bloco de imagens, uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior, a ação, contínua estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes. Quando feito para o jornal , a historieta obedecia ao esquema do romance de folhetim (aliás.ela nasceu de ilustrações para os romances), criando uma expectativa para o desenrolar da narrativa.
A aparição desse conjunto estruturado de imagens significou uma revolução no tratamento das representações analógicas. Não era mais a fixação pictórica de um instante, agora se observava uma narração figurada onde o desenvolvimento das ações dos personagens, do começo e do fim de um fenômeno qualquer, podia ser apreendido, visto ou revivido.
O teatro, a pintura foram meios transformados e adaptados a nova situação, enquanto que história em quadrinhos, como o cinema, podem ser classificados como novos veículos e novas formas . Seja numa função alegremente digestiva ou seriamente crítica, constituiram -se numa articulação imagística original e própria. Por isso podemos afirmar sua tipicidade. A aproximação entre cinema e os quadrinhos é inevitável, pois os dois surgiram da preocupação de representar e dar sensação de movimento.
Os quadrinhos, como o próprio nome indica, são um conjunto e uma sequência. O que faz do bloco de imagens, uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido depois de visto o anterior, a ação, contínua estabelece a ligação entre as diferentes figuras. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma rede de ações lógicas e coerentes. Quando feito para o jornal , a historieta obedecia ao esquema do romance de folhetim (aliás.ela nasceu de ilustrações para os romances), criando uma expectativa para o desenrolar da narrativa.
A aparição desse conjunto estruturado de imagens significou uma revolução no tratamento das representações analógicas. Não era mais a fixação pictórica de um instante, agora se observava uma narração figurada onde o desenvolvimento das ações dos personagens, do começo e do fim de um fenômeno qualquer, podia ser apreendido, visto ou revivido.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
RELEMBRANDO ...... " Mancada "
Mancada, no original, Moose, criada por Bob Weber ,é uma série que descreve a
vida familiar. Mas estamos bem longe daquilo que se convencionou chamar
de família típica americana. Pelo contrário, ela não é nada
exemplar. Mancada, o marido faminto e folgazão, é um eterno
desocupado, sempre á procura de emprego (que ele faz questão de não
encontrar), vivendo a custa do seguro de desemprego. Gegé, sua mulher, é quem trabalha de
verdade, fazendo todos os serviços domésticos e ainda atendendo ás
formidáveis exigências do inesgotável apetite de Mancada. A família se
completa com os filhos menores : Cintia e Neco (cujo passatempo é juntar animais de estimação); Rosita e Benê, os filhos maiores, mas que
pouco aparecem ; e ainda Leão, o cachorro mais medroso da paróquia ; e
Navalhada o papagaio malandro. Completando a série, aparecem os
vizinhos, os amigos e os parentes e algumas personagens ocasionais como o
carteiro e os cobradores. Entre os vizinhos, Anacleto, trabalhador e
dominado pela mulher, é o marido típico americano convencional ; enquanto
que Pascoal é o vizinho implicante e chato, que por isso mesmo acaba
sempre levando a pior e se constitui na vítima preferida de Mancada.
Relembrando........ "Demolidor,o Homem sem Medo "
Durante o dia, Nova Iorque é uma das maiores cidades do mundo .....
Porém, quando a noite chega,ela se transforma numa selva fria, povoada por
seres selvagens e impiedosos.A iluminação nas ruas não é suficiente
para afugenta-los..... Mas deve existir alguém que se atreva a
desafia-los, alguém sem medo, um verdadeiro demônio intrépido !
Era assim que Frank Miller imaginava o herói cego criado em 1.964 por Stan Lee : DEMOLIDOR, O HOMEM SEM MEDO. No início, Miller apenas desenhava as histórias escritas por Roger McKenzie, mas, em pouco tempo,t ornou-se co- argumentista e, finalmente, passou a escrever e desenhar as aventuras do Demolidor. Nas mãos dele, o personagem deixou de ser um super-herói comum e mergulhou de cabeça no submundo do crime.
As histórias ganharam um conteúdo policial e adquiriram uma nova dimensão: personagem e cenário tornaram-se um único elemento! Mais do que qualquer outro artista, Miller conseguiu explorar a frustação do advogado Matt Murdock (nome verdadeiro do Demolidor) diante da ineficiência da justiça. Para ele ser o Demolidor era uma forma de combater o crime e, ao mesmo tempo a conscientização de haver falhado como profissional nos tribunais.
Era assim que Frank Miller imaginava o herói cego criado em 1.964 por Stan Lee : DEMOLIDOR, O HOMEM SEM MEDO. No início, Miller apenas desenhava as histórias escritas por Roger McKenzie, mas, em pouco tempo,t ornou-se co- argumentista e, finalmente, passou a escrever e desenhar as aventuras do Demolidor. Nas mãos dele, o personagem deixou de ser um super-herói comum e mergulhou de cabeça no submundo do crime.
As histórias ganharam um conteúdo policial e adquiriram uma nova dimensão: personagem e cenário tornaram-se um único elemento! Mais do que qualquer outro artista, Miller conseguiu explorar a frustação do advogado Matt Murdock (nome verdadeiro do Demolidor) diante da ineficiência da justiça. Para ele ser o Demolidor era uma forma de combater o crime e, ao mesmo tempo a conscientização de haver falhado como profissional nos tribunais.
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