sexta-feira, 3 de março de 2017

RELEMBRANDO.....A Princesa e o Cavaleiro -( Ribbon no Kishi) by Osamu Tezuka

Dentre as obras de Osamu Tezuka, a Princesa e o Cavaleiro é uma das mais importantes. O Mangá conta as aventuras da princesa Safiri e foi originalmente publicado no Japão, em 1.953. Dez anos depois, em 1.963, Tezuka lançou uma nova versão do título .Mas foi a obra original dos anos 50, que serviu de base para a série animada de A Princesa e o Cavaleiro, produzida em 1.967.



O desenho, certamente, ficou imortalizada na memória de milhares de brasileiros , que tiveram a oportunidade de acompanhar seus 52 capítulos nos anos 70 na TV Tupi, e depois nos anos 80 na TV Record. Os mais atentos que assistiram a série no passado poderão notar algumas diferenças entre o anime e o mangá. Na versão impressa da história, há um teor mais próximo dos contos de fadas de Walt Disney, como Branca de Neve, Cinderela e a Bela Adormecida.



A base da história é a mesma : de acordo com uma antiga lei de seu reino, Safiri é obrigada a se passar por um príncipe, já que uma mulher não pode assumir o trono. Caso seu segredo fosse descoberto, seu pai seria deposto do trono. Desconfiado, o duque Duralumínio conta com a ajuda do senhor Nylon, para desmascarar a princesa. O Objetivo do duque é colocar seu filho, o príncipe Plástico , no trono.



No mangá, Safiri é bem mais feminina que no Anime,e, no desenrolar da história, a heroína enfrenta inumeras situações-limite até conseguir dar a volta por cima. Além disso, diferentemente da série da TV, a personagem Madame Inferno quer roubar o coração da princesa e dar á sua filha Hecket.



A livre adaptação de Badoli na obra de Tezuka, resultou em algumas falhas de compreensão da história original. Isso para o público com mais de 30 anos que acompanhou a série na TV nunca ficou muito claro, por exemplo, que o garotinho,  a quem Ching, o Anjinho Peralta, deu um coração a mais, que era na verdade de Safiri.



Independentemente das particularidades do Anime e do Mangá, a Princesa e o Cavaleiro continua sendo uma obra atual. Pela primeira vez, um título de mestre Osamu Tezuka, o expoente máximo dos quadrinhos japoneses, é publicado no Brasil. Considerado o Walt Disney japonês, foi Tezuka quem desenvolveu e estabeleceu a fórmula básica do mangá moderno, tanto no traço quanto no rítmo da narrativa. Em sua biblioteca, constam também títulos de fama internacional,como Kimba - o leão branco, Astro Boy e Don Drácula.

Osamu  Tezuka: criador de A Princesa e o Cavaleiro e muitos outros personagens

RELEMBRANDO.......... Sheena

Corria o ano de 1.938. Época em que os "Comics Books" ( as revistas em quadrinhos) começavam a aparecer nos EUA. A Fiction house lançou "Jumbo Comics", no primeiro número entre, várias outras histórias estava "Sheena, Queen of the Jungle". Uma narrativa de apenas 5 páginas, mal desenhada, como todas as outras da revista, mas que, marcaria época, pois seria o ínicio, o modelo, a inspiração para uma série de historietas de heroínas das selvas, uma espécie de Tarzan feminino, que apareceria nas décadas de 40 e seguintes.



 Sheena, a Rainha das Selvas, foi uma das mais populares heroínas dos quadrinhos da década de 40 e precursora de dezenas de imitações ( Nyoka, Camila, Rulah, Tiger Girl, Jann of the Jungle e outras), que aproveitaram o filão aberto por ela, num campo onde até então, Tarzan era o senhor absoluto. Sheena foi criada em 1.937 por Will Eisner e S.M. Iger, para publicações em jornais, mas foi nas revistas de histórias completas que atingiu a fama.



No primeiro número de "Jumbo Comics" (1.938), ela fez sua estréia, com texto de William Thomas e desenhos de Mort Meskin, e a partir de então, tornou-se o carro chefe da fabricação, além de ter a sua revista própria : "Sheena,Queen of the Jungle". Ela logo se tornou a historieta principal de "Jumbo Comics", aparecendo em todos os 167 números da revista (até março de 1.953), e a sua própria revista, "Sheena Comics", circulou por 18 números.



Mort Meskin foi o primeiro desenhista de Sheena, mas foram Bob Powel e, principalmente, Robert Hayward Webb aqueles que mais desenharam Sheena e melhor souberam interpreta-la visualmente. Ela sempre foi atribuída a W.Morgan Thomas. Mas tal pessoa nunca existiu, era apenas um nome fictício para os diversos escritores da Fiction House que escreviam Sheena, como Ruth A. Roche ou Manning Lee Stokes.



Sheena vivia na Africa, naquelas selvas imaginárias, palco de aventuras de tantos heróis, mas impossível de se localizar num mapa do continente negro. Suas aventuras eram simples, quase sempre centralizadas na questão de proteger os nativos contra a ambição dos homens brancos e de outros nativos já corrompidos pelos brancos.



Sheena lutava na melhor tradição de Tarzan. Derrubava com os punhos os homens mais fortes e com um simples punhal, em combate corpo a corpo, liquidava qualquer fera e se balançava pelos cipós também. O papel de Bob nas histórias de Sheena nunca foi claramente ilustrada,e sempre esteve presente em segundo plano. Não era o herói que salvava a mocinha, mas a heroína quem estava sempre indo em socorro do mocinho.



No Brasil, Sheena estreou nas páginas do "Suplemento Juvenil". Mais tarde, no final da década de 40 e nos anos 50, seria publicado em várias revistas da EBAL, entre elas "O HERÒI", Album Gigante" e Super-X, além de outras editoras menores.

RELEMBRANDO..... A História do Oeste


Esta é uma história conhecida dos leitores : A história do Oeste. Através das aventuras de uma família, a dos MacDonald, o escritor e desenhista Gino D'Antonio, construiu uma das mais belas sagas já vistas nos quadrinhos, sobre o tema.abordando um período de quase 90 anos, que começa com a chegada aos Estados Unidos do fundador do clã, o imigrante Brett MacDonald. Mais tarde, Brett se casou e constituiu família já na terra prometida, e seu filho Pat deu continuidade á família a ás aventuras que compõem "A História do Oeste".



Tudo isso já foi publicado no Brasil, há mais de 20 anos, por outra editora, a EBAL, que traduziu La Storia Del West e publicou, ao longo de 15 anos, os 73 episódios que compõem a série na revista Epopéia-Tri. A série que só se encerrou porque depois dessas 73 aventuras, os próprios autores deram um fim á saga, continua até hoje na memória dos leitores e apreciadores de faroeste como uma das mais belas HQs já produzidas sobre o tema.



No início de 1.800, a jurisdição dos Estados Unidos se estendia até o curso do Mississipi. Além do grande rio, os territórios eram praticamente inexplorados,exceto a Califórnia e o México, colonizados pelos espanhóis. A Louisiana, de limites um pouco incertas, era possessão da França. E foi, nesses territórios virgens e perigosos que os audazes pioneiros se embrenharam.  Ao longo dos rios que atravessavam os territórios de fronteira, um dos espetáculos mais comuns era dado pelos barcos á vara, que desciam ou subiam a correnteza, transportando mercadorias de uma cidade a outra.



Robustos e capazes, mas bastantes pesados, esses barcos precisavam de muita força e destreza para serem governados. Descendo o rio, as longas varas eram utilizadas apenas para guiar o barco, mantendo-o longe dos lugares secos. Mas era descendo a corrente que os barqueiros deveriam mostrar toda a sua habilidade, enfiando as varas bem no fundo do rio, e se apoiando nelas com força,c aminhavam de proa a popa, pelos lados das embarcações, impulsionando-as contra a correnteza.



A operação era repetida sem interrupção, enquanto o barco avançava lenta, mas seguradamente. Era um trabalho duro e cansativo, como todos os daquela época e região, que requeria homens fortes e corajosos, pois também havia, sempre, nas margens índios e renegados que olhavam ávidamente as mercadorias transportadas. Não raro eram ,no entanto, os casos em que os barqueiros eram obrigados a empunhar o fuzil, e combater para defender a carga. Porque, para eles, entregar a mercadoria era motivo de orgulho, empenho e honra.

quarta-feira, 1 de março de 2017

RELEMBRANDO .... Monstro do Pantano - Swamp Thing

Mais conhecido sob a alcunha de Monstro do Pantano, teve alguns episódios lançados na extinta revista "Superamigos", alguns deles , os primeiros escritos por Alan Moore ( de Piada Mortal e V de Vingança). Com o lançamento de sua própria revista em formatinho, o Monstro recebeu muitas críticas do público, o que levou a Editora, relançar em novo formato, o americano original, contendo duas histórias. Este misterioso personagem surgiu na revista "House of Secrets", coletânea de contos fantásticos da DC em 1.971.

Criado por Len Wein (argumentos) e Bernie Wrighton (desenhos), o Monstro era diferente do que vemos hoje. Um cientista de nome Alex Olsen é morto em uma explosão em seu laboratório, causado pelo amigo ciumento de seu sucesso. Seu corpo é retirado e jogado no Pântano, de onde ressurge transformado numa enorme e fétida de massa verde, disforme. Este Monstro não é mau,apenas quer achar um conforto para o que se tornou e estar ao lado da amada, Linda.



O número 92 de House of Secrets" foi o mais vendido de sua carreira. O que levou a uma reformulação do personagem para transforma-lo em algo mais próximo de um super herói. O Monstro passa, então, a ser conhecido como Allec Holland, cientista inventor, da formula Bio-Restauradora, que impediria o extermínio da vida verde do planeta. Uma organização criminosa quer a descoberta e,é claro, Allec não vende por preço nenhum. Sua morte é decretada com uma explosão que destrói seu laboratório. Seu corpo semi-inconsciente, é atirado no Pântano da Louisiana, de onde ressurge coberto de lama aderida a pele pela ação da fórmula bio-restauradora e nasce um Monstro que passa a querer vingança de seus assassinos que, além de tudo, matam também sua mulher.



Em "Superamigos", o Monstro morre pelas mãos de um vagabundo, devido a um desastre ecológico.É o começo do excelente trabalho de Allan Moore, que introduz em sua "vida", o mundo das trevas e do sobrenatural. No primeiro episódio de sua revista própria, o herói renasce e descobre que tem o poder de transportar sua consciência de um corpo para outro, quantas vezes quiser.



O guia do Monstro do Pântano através do mundo das trevas é John Constantine, um tipo com visual de Sting, rodeado de amigos esquisitos : Judith, uma punk, Benjamin Cox,  gago e adorador de H.P. Lovecraft (influência predileta de Moore), irmã Anne-Marie, uma freira,entre outros. Todos conhecem e lidam com o sobrenatural; Constantine se tornou tão famoso que acabou de ganhar, o que seria o terceiro título de terror da DC: "Hellblazer". Não satisfeito com a fauna de tipos, Moore enche as páginas de outros personagens que lidam com as trevas e que os ajudam esporadicamente.

Constantine e o Monstro do Pântano sendo fotografados

RELEMBRANDO.... Emily Bronte

O único romance escrito por Emily Bronte, "O Morro dos Ventos Uivantes" foi publicado em 1.847 e atribuído a um certo "Ellis Bell". Pseudônimos literários eram comuns na época, e usados principalmente por escritoras que aspiravam a consideração séria dada aos correspondentes masculinos. Como de hábito, grassavam debates sobre a identidade do autor. Um ano antes, as três irmãs Bronte": Charlotte, Emily e Anne - haviam publicado uma coletânea de poemas em nome de "Currer, Ellis e Action Bell".

Nos círculos literários ingleses era crença generalizada que as "Irmãs Bronte" e os Irmãos Bell, fossem as mesmas pessoas. No entanto, o simples crédito deu margem a controvérsias : que "Bell" seria, realmente, qual das irmãs Bronte"? Para complicar o assunto, alguns leitores garantiam que os três pseudônimos, na verdade, pertenciam a Charlotte. Já outros sugeriam que os demais pseudônimos "Bell" não se relacionavam com nenhuma das irmãs, e serviam de camuflagem para algum outro escritor.


 Até a morte de Emily, em 1.848, ela ainda não havia sido oficialmente reconhecida como a autora de "O Morro dos Ventos Uivantes", o que só aconteceu em 1.850, quando a segunda edição saiu com seu nome. Críticos da época reagiram com indiferença á obra, comparando-a desfavoravelmente com Jane Eyre de Charlotte Bronte, enquanto outros olhavam o livro excessivamente mórbido e violento.

Finalmente, a reavaliação crítica gradual- encabeçada por Charlotte - resultou no reconhecimento do gênio de Emily e na aceitação do "Morro dos Ventos Uivantes" como uma obra-prima singular, representando um distanciamento radical da tradição vitoriana de romance, enquanto outros trabalhos contemporâneos eram densamente povoados, este tinha objetivos estreitos; enquanto outros se baseavam em ações complexas, geralmente tortuosas,"Ventos Uivantes" era livre de cenas arquitetadas, resultando seu drama do choque de vontades.Uma rica mistura de romantismo e realismo, ele transborda de paixão, turbulência e misticismo- o "horror"-conforme observou Charlotte-"Da grande escuridão".

RELEMBRANDO...... Moby Dick by Herman Melville

Herman Melville
Além de fascinar e preocupar, Herman Melville, o mar esteve presente na maioria de seus escritos. Moby Dick, a obra mais famosa, representou o auge de sua tentativa literária de comunicar o ímpeto, a majestade, o poder e os perigos dos oceanos. Quando o escritor começou a trabalhar em sua obra-prima, já havia alcançado fama, graças a duas novelas românticas,"Typee" e "Omoo", e vários contos. Publicado em 1.851,o romance foi dedicado a Nathaniel Hawthorne, um amigo a quem Melville via frequentemente, enquanto desenvolvia seu épico.

Apesar do triunfo literário, a popularidade do autor diminuiu nos anos que se seguiram,em decorrência da publicação de diversos trabalhos de pouca qualidade. Na época de sua morte, em 1.891,ele já era considerado um autor menor. No começo da década de 20, uma redescoberta crítica e um novo apreço restauraram sua reputação na literatura americana, como um dos primeiros mestres da narrativa simbólica, ainda que realista, em prosa rítmica, com alto teor de crítica social.

Moby Dick é também uma exaustiva compilação de detalhado material de pesquisa sobre baleias e a indústria pesqueira do cetáceo no século passado.Dos 143 capítulos do livro, mais de 40 são devotados exclusivamente á dissertação sobre assuntos afins, envolvendo também a vida dos baleeiros. Aliás, o livro é famoso justamente por isso, além de expressar um perfeito senso de tempo e lugar, e uma capacidade de evocar um modo de vida há muito inexistente. É extraordinário por seu amplo apelo : alguns leitores se entusiasmam pela aventura em alto mar, outros são arrebatados pelo estudo psicológico de uma obsessão insana, e muitos se veem tomados pela profunda e penetrante alegoria do desastre que espreita, quando o homem tenta se transformar em Deus, quando se torna maligno para enfrentar o mal.

RELEMBRANDO....... Pogo

Ambientada nos pântanos de Okefenokee da Florida, esta série, criada em 1.942 ,por Walter Kelly, que foi um dos melhores assistentes de Walt Disney, marca, sem dúvida, o início das chamadas histórias em quadrinhos intelectualizados. Os personagens são bichos, habitantes daquela região, aparecendo como principal figura, POGO, um marsupial que em seus diálogos e conferências com os demais, faz críticas políticas, satiriza a sociedade de consumo, goza a ONU e a decantada paz mundial.

Outro personagem é Albert, The Aligator, um eterno devotado a sátira política.Walt Kelly, não deixa por menos apresentando, por exemplo, Fidel Castro e a cara de um dos bichos. O maior interesse da tira,de espírito pós-freudiano e pós joyceal é o revide e a enfâse posta sobre o uso do inglês, e as inconsequências semânticas da linguagem destes animais que escrevem poemas, porém para perguntar só depois a significação (Oscar Masotta,La historieta em El Mundo Moderno,Paidos 1.970,pag. 73).



Pogo, entre outras revistas é publicada na revista A Patota.Walt Kelly, trabalhou como reporter e cartunista no Bridgeport Post, de Connecticut. Passou pelos estúdios de Walt Disney, onde ajudou a animar particularmente Fantasia e Dumbo. Depois de 1.941, por participar das lideranças de uma greve naquele estúdio, Kelly mudou-se para o leste, onde iniciou seu trabalho como desenhista em comics books. Para as revistas da Western Printing, entre outros, ele criou Bombazine and Albert, The Aligator.



O personagem central era um garoto de um pântano chamado Okefenokee e que tinha como animal de estimação, um jacaré. Isto foi idéia que originou Pogo, uma daily-strip-publicada a partir de 1.948, no pântano de Okefenokee, o universo essencialmente animal de Walter Kelly, que conseguiu criar uma das mais ricas e variadas séries de quadrinhos. Apesar do humor e a presença inocente de jacarés, tartarugas, ursos, corujas e outros animais, na série Pogo, devidamente caracterizados, apareceram figuras políticas reais da época, como Mccart, Fidel Castro, Khruchtchen e muitos outros.




Por causa disto,a série nunca teve grande popularidade, sendo lida e apreciada especialmente por um público adulto mais conscientizado. Foi realmente uma das primeiras tiras de "Humor intelectualizado". Um psicólogo, Kenneth Fearing, referiu-se a Pogo e Albert (the aligator), como as representações simbólicas do ego e do id. Em meados da década de 60, porém,a saúde de Kelly tornou-se cada vez mais fraca. Pogo foi sendo assumido por seus auxiliares, e, após a morte de Kelly, por sua viúva Selby e seu filho Stephan, sendo desativada em 1.975. Hoje circula em reedições por muitas revistas, ganhando álbuns de compilação constantemente.